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Artigos · ZEITH Co.

Você mirou no ChatGPT. Seu cliente se espalhou por cinco assistentes.

Por Leandro Manique · 6 de julho de 2026

A fatia do ChatGPT nos encaminhamentos B2B de inteligência artificial caiu de 89% para cerca de 63% em oito meses, segundo o relatório da Goodie publicado em 21 de maio. Quem levantou presença mirando uma única IA levantou para um alvo que já saiu do lugar.

O dado incomoda porque contraria o roteiro que o mercado adotou no último ano. A Goodie mediu os encaminhamentos que sites B2B recebem de assistentes de inteligência artificial e comparou duas leituras separadas por oito meses. Em outubro de 2025, o ChatGPT respondia por 89% desse tráfego. Na medição mais recente, referente a março e abril de 2026, caiu para perto de 63%. No mesmo intervalo, o Claude saiu de 1,4% para 18,5%. O ChatGPT continua grande. O que mudou foi a repartição: a resposta que chega ao seu cliente deixou de ter um dono único.

A leitura preguiçosa desse número trata tudo como corrida de cavalos, e se resume a torcer pela posição de um ou de outro. A leitura útil é outra. O ponto onde o comprador decide qual fornecedor vai procurar se fragmentou. Um pedaço da sua clientela pergunta ao ChatGPT, outro ao Gemini, outro ao Claude ou ao Perplexity, e cada assistente monta a resposta de forma independente. Se o seu negócio aparece bem em um desses lugares e some nos demais, você está presente para uma fatia e invisível para o resto, sem enxergar qual é qual.

Presença não se aponta para uma marca

Foi isto que desenhamos na ZEITH desde o começo, e o dado da Goodie apenas endureceu a convicção: presença em inteligência artificial não se constrói mirando um produto específico. Um assistente é software, e software troca de dono, de peso e de critério a cada trimestre. O que permanece é a mecânica por baixo. Todos esses modelos precisam entender quem você é, o que você faz, onde atua e por que merece ser citado. Quando o negócio existe como uma entidade clara, com informação estruturada, consistente e verificável espalhada pelas superfícies certas, qualquer modelo consegue ler e devolver essa informação. A aposta que se sustenta é a legibilidade do próprio negócio, que independe de qual assistente lidera o ranking na semana.

Por isso a frente de Presença na IA da ZEITH nunca foi tratada como um serviço de "otimizar para o ChatGPT". O Show Case existe para tornar o negócio uma entidade reconhecida pelo Google, pelo ChatGPT, pelo Gemini, pelo Claude e pelo Perplexity ao mesmo tempo. Quando a repartição entre eles muda, e ela muda, o cliente que construiu presença de forma ampla não precisa refazer nada. Já quem amarrou tudo a uma plataforma descobre, tarde, que otimizou para um mapa velho.

O que as próprias fabricantes já mostram

O movimento não vem de um relatório isolado. A First Page Sage, em julho, apontou o ChatGPT com 53,9% das visitas globais entre os assistentes, contra 79% um ano antes. O Gemini apareceu com 27,9% e o Claude com 9,2%, este último crescendo mais rápido do que todos os outros do grupo. Google e Microsoft empurram melhorias nos seus próprios assistentes a cada ciclo, e o efeito prático para o dono de negócio é direto: a superfície onde o cliente pergunta hoje pode não ser a de daqui a seis meses. Planejar em cima de uma foto fixa desse mercado é planejar para errar.

O intervalo que aumenta no Brasil

Aqui a conta fica mais dura. Enquanto o comprador migra para os assistentes, o Sebrae registrou, no estudo de Transformação Digital nos Pequenos Negócios, que 44% dos empreendedores brasileiros já usam alguma inteligência artificial, mas 66% das micro e pequenas empresas seguem no estágio inicial de maturidade digital, e apenas 3% chegaram ao nível avançado. Some a isso o dado de que 51% dos compradores B2B de software começam a pesquisa por um assistente de IA com mais frequência do que pelo Google, contra 29% um ano antes. O cliente decide num lugar onde a maioria dos negócios brasileiros mal existe. O intervalo entre onde a decisão acontece e onde a empresa aparece é o que separa quem vai ser encontrado de quem vai continuar refém de indicação.

As perguntas desta semana

O líder que leva o próprio negócio a sério tem três perguntas a responder antes de sexta. A primeira: se um cliente perguntar sobre a minha categoria ao Gemini ou ao Claude, e não só ao ChatGPT, eu apareço com a informação certa, apareço errado, ou não apareço? A segunda: a informação sobre a minha empresa que esses modelos encontram por aí é a que eu escolhi, ou é o que sobrou de perfis desatualizados e cadastros pela metade? A terceira, a mais desconfortável: quantos concorrentes da minha cidade, no meu ramo, já estão sendo respondidos por essas ferramentas enquanto eu ainda trato o assunto como coisa de ano que vem?

Passei quinze anos vendo canais de aquisição nascerem, dominarem e perderem força. O erro que mais custou caro aos negócios que acompanhei raramente teve a ver com chegar cedo demais. Veio de amarrar a operação à plataforma do momento e confundir a plataforma com o objetivo. A superfície onde o seu cliente pergunta vai continuar trocando de nome. Construir para ser legível por todas elas, em vez de pela mais popular de hoje, é a aposta que envelhece bem. O resto é refazer trabalho a cada troca de líder no ranking.

Leandro Manique · Founder · ZEITH Co.

Se o seu negócio ainda depende de aparecer em uma única ferramenta, vale meia hora para mapear onde você está presente e onde está invisível. É o que mostro numa conversa direta, sem rodeios.

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