Análise · Presença na IA · Brasil
Um em cada três quer aparecer na resposta da IA. Metade não arruma o próprio dado.
Uma pesquisa divulgada em 4 de setembro mostra a otimização para buscadores de inteligência artificial saltando de 8,9% para 30,4% entre as prioridades de marketing das empresas brasileiras. Outro levantamento, de julho, explica por que boa parte desse orçamento vai render pouco.
A segunda edição da pesquisa Tendências de Marketing, Vendas e RevOps, conduzida pela 8D Hubify em parceria com a PipeLovers junto a 214 profissionais e lideranças, foi divulgada em 4 de setembro. O número que puxou a manchete: a prática de otimizar a presença de uma marca dentro das respostas de buscadores com inteligência artificial passou de 8,9% para 30,4% entre as prioridades declaradas para 2026. Na mesma amostra, a busca tradicional subiu de 31,3% para 42,5%, e a construção de marca chegou a 50%. Mídia paga continua liderando o bolo, com 66,4%, e redes sociais aparecem com 62,1%.
A leitura preguiçosa desse salto já está circulando: chegou a sigla nova, contrata alguém que domine a sigla, compra o pacote. Quem fizer isso vai gastar dinheiro para descobrir uma coisa velha. O que triplicou ali não foi a fé numa técnica. Foi o reconhecimento de que alugar atenção tem teto. Repare no que a mesma pesquisa mostra como objetivo do ano: aumentar conversões e vendas em 58,4%, gerar contatos qualificados em 45,3% e fortalecer a autoridade da marca em 38,3%. Autoridade entrou na lista curta com status de meta de receita, e não como enfeite de apresentação.
O buraco que a segunda pesquisa mostra
Um levantamento anterior, publicado em 16 de julho, dá o contorno do problema. Os índices de maturidade em marketing e vendas B2B produzidos pela Live University com o Instituto Brasileiro de Inteligência de Mercado apontam 92% das empresas planejando investir em inteligência artificial no marketing e 81% nas operações comerciais. No mesmo estudo, 50% declaram que não vão investir em saneamento de dados no marketing, e 40% dizem o mesmo sobre vendas. Metade relata problemas de integração entre plataformas na área comercial, e 39% relatam o mesmo no marketing.
Junte os dois retratos e o desenho fica desconfortável. O mercado brasileiro decidiu, quase por unanimidade, ser lido por máquinas. E metade dele decidiu, no mesmo orçamento, deixar sem dono a matéria-prima que essas máquinas leem. Cadastro do negócio no mapa com endereço antigo, site que diz uma coisa e perfil social que diz outra, avaliação sem resposta, catálogo de serviço que ninguém revisa desde 2023. Nada disso melhora porque alguém aprovou uma verba com nome bonito.
A máquina não lê a sua intenção de orçamento. Ela lê o que está publicado sobre você, e o que está publicado costuma estar desatualizado, dividido e sem responsável.
Por que operamos em três frentes
Montei a ZEITH Co. em três frentes exatamente por causa desse encadeamento, e esse par de pesquisas colocou percentual em algo que já era visível na operação de qualquer empresa média brasileira. Presença na IA, que trata a empresa como entidade a ser reconhecida pelo Google e pelos assistentes que o comprador consulta antes de falar com fornecedor nenhum. Reputação, que transforma prova social em camada ativa de trabalho, com avaliação pedida, respondida e mantida. Aquisição B2B, onde agentes preparam pesquisa de conta, abordagem e triagem de resposta, e entregam a conversa madura para um humano conduzir.
A ordem entre elas importa mais do que qualquer ferramenta. Um assistente de inteligência artificial não consome campanha do jeito que uma pessoa consome. Ele cruza fontes, procura coerência e desconfia de contradição. Empresa que aparece de três jeitos diferentes em três lugares diferentes não perde posição por falta de técnica: ela perde porque a máquina não consegue afirmar com segurança quem ela é. Comprar visibilidade dentro da resposta antes de arrumar a identidade que sustenta essa resposta é pagar por um lugar que a empresa ainda não tem condição de ocupar.
O relógio do outro lado
Enquanto o mercado brasileiro discute prioridade de verba, o dono da tela resolve o assunto por conta própria. O Google confirmou a entrada de anúncios dentro das respostas com inteligência artificial na busca, incluindo um formato em que um agente conversa com o usuário sem tirá-lo da página de resultados, usando informação do site do anunciante, além de testes de finalização de compra dentro da própria plataforma. A camada paga está migrando para dentro da resposta. Quem não for legível como entidade vai continuar alugando presença, só que num leilão mais caro e com menos gente clicando para fora.
Autoridade virou meta de receita para 38,3% do mercado. Ela continua sendo a única coisa que não se compra pronta.
Três perguntas para esta semana
Antes de aprovar qualquer verba com a sigla da moda, o líder brasileiro precisa responder três coisas. A primeira: se um cliente do seu setor perguntar hoje a um assistente quem resolve o problema que você resolve, na sua cidade, o seu nome aparece na resposta e com que descrição? A segunda: quem, com nome e sobrenome, é responsável por manter corretos o seu cadastro no mapa, o seu site, o seu perfil social e as suas avaliações, e quando essa pessoa mexeu nisso pela última vez? A terceira: dos 92% que vão investir em inteligência artificial este ano, o que faz a sua empresa estar na metade que também vai arrumar o próprio dado?
Minha posição sobre isso não mudou com a pesquisa, ela só ganhou percentual. Ser citado pela máquina é consequência de ser coerente diante dela, e coerência é trabalho de manutenção, com dono e com rotina. Empresa que trata isso como linha de mídia vai renovar o orçamento em 2027 reclamando que a sigla não funcionou. Quem tratar como infraestrutura vai chegar em 2027 sendo a resposta, e não mais um dos links que o cliente não vai abrir.
Se você quer olhar para a sua presença com esse critério antes de aprovar orçamento, eu tenho uma agenda aberta para conversa direta: cal.com/leandro-manique-zeith-co/apresentacao-zeith.
Fontes
- Mundo do Marketing, 04/09/2026: segunda edição da pesquisa Tendências de Marketing, Vendas e RevOps, da 8D Hubify com a PipeLovers. Otimização para buscadores de IA passa de 8,9% para 30,4%; busca tradicional de 31,3% para 42,5%; marca em 50% das prioridades: mundodomarketing.com.br
- SEGS, setembro de 2026: mesma pesquisa, com 214 respondentes. Mídia paga 66,4%, redes sociais 62,1%. Objetivos para 2026: conversões e vendas 58,4%, contatos qualificados 45,3%, autoridade de marca 38,3%: segs.com.br
- E-Commerce Brasil, 16/07/2026: índices de maturidade IMTM e IMTV, da Live University com o Ibramerc. 92% investirão em IA no marketing e 81% em vendas; 50% não investirão em saneamento de dados no marketing e 40% em vendas; 39% e 50% relatam problemas de integração entre plataformas: ecommercebrasil.com.br
- Tecnoblog e Agência Mestre, 2026: Google passa a exibir anúncios nas respostas com IA na busca, com agente de negócio embutido no anúncio e testes de finalização de compra na plataforma. Citado a partir de cobertura secundária, sem confirmação direta no material do Google: tecnoblog.net
Como este artigo foi feito
Escrito por agentes especialistas da ZEITH, sob direção editorial humana: os agentes levantam e cruzam o que mudou na semana, e a decisão sobre a tese, o corte e o que merece ser publicado é nossa. Toda afirmação de fato aqui tem fonte listada acima, com a data de publicação original. Quando a fonte é secundária, isso está dito no texto. Ver como trabalhamos.