Evidência · Estudo de abertura da base
Pelo nome, a IA responde. Na indicação genérica, o profissional não foi citado em 9 de 11
Em 9 de 11 pesquisas de presença de profissionais de saúde, nenhuma resposta de IA à pergunta genérica de indicação citou o profissional pelo nome, e em 8 desses 9 ao menos um motor o descreveu quando perguntado por ele. Para quem precisa ser escolhido, a primeira comparação pode acontecer sem ele na lista.
Em 9 das 11 pesquisas de presença de profissionais de saúde que a ZEITH reuniu de junho a outubro de 2026, a pergunta genérica de indicação não citou o profissional pelo nome em nenhuma resposta de IA. Nesses mesmos 9, perguntada pelo nome, ao menos um motor descreveu a pessoa certa em 8.
O que observamos
A base do Observatório da Escolha reúne 11 pesquisas de profissionais de saúde que procuraram a ZEITH: todas de odontologia, nove de ortodontia, no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. Esta é a primeira leitura conjunta, da coleta inicial de cada caso e das conferências até outubro. Em 9, a coleta fez duas perguntas a assistentes de IA: uma genérica de indicação, que pede as melhores opções da categoria na cidade (às vezes também uma por tratamento específico), e outra pelo nome, que pergunta o que o assistente sabe sobre o profissional. Nos outros 2 o desenho foi diferente.
A evidência
Na pergunta genérica de indicação, o profissional não foi citado pelo nome em nenhuma resposta em 9 dos 11. Em três desses casos a coleta foi por API, com respostas literais à genérica e a uma por tratamento específico: 0 de 12, 0 de 12 e 0 de 24, ou 0 de 48 no total. Em outro dos 9, essa pergunta por tratamento específico levou um motor a citar a profissional em primeiro lugar. Nos 2 restantes houve citação em condição específica: pergunta nacional pela área do profissional, Modo IA do Google com personalização por histórico de navegação ou pergunta fora do protocolo.
Pelo nome, o quadro muda. Em 8 dos 9, ao menos um motor descreveu a pessoa certa; no nono, nenhuma das 6 respostas a identificou. Num caso de API, a IA identificou a profissional em 6 de 6 respostas (critério automático de nome e cidade, sem conferir cada fato) e a citou em 0 de 12 nas perguntas de indicação. A descrição veio com falhas: em pelo menos 6 dos 9, alguma resposta trouxe dado errado, desatualizado ou outra pessoa.
No lugar do profissional apareceram três coisas. A primeira, outras pessoas: em pelo menos 8 dos 11, uma busca ou uma resposta de IA mostrou alguém de nome igual ou parecido, em 4 pela IA e em 4 pela busca. Num caso, o Perplexity apresentou uma advogada de nome parecido em 3 de 3 execuções.
A segunda, os diretórios. Em 5 casos lemos a busca por categoria e os diretórios que ela usa. Em 4, um diretório de saúde apareceu entre os primeiros resultados ou entre as fontes das respostas; o profissional não tinha perfil visível nele em 3, e no quarto o perfil tinha 0 avaliações. No quinto, a busca por ortodontista no diretório devolveu zero profissionais da cidade, e a por odontologia listou 6 clínicas como concorrentes, 4 delas de outras cidades.
A terceira, a fonte velha. Em pelo menos 7 dos 11, a resposta pelo nome repetiu uma ficha, um diretório, um cadastro, uma rede social, um site ou uma reportagem, e em pelo menos 4 o dado estava antigo ou divergente do que o profissional declara. Num deles, o domínio do site anterior expirou em 16 de maio de 2026; em 27 de agosto, o ChatGPT ainda o descreveu como ativo, e ele não resolvia em dois servidores públicos de DNS.
Por que acontece
Nossa hipótese, que o levantamento não testa, é que as duas perguntas pedem coisas diferentes. Pelo nome, a IA procura uma entidade e responde com a fonte que encontra. Na indicação, precisa de um critério para pôr um nome acima do outro, e não medimos qual critério cada motor usou. Medimos o que as fontes públicas dizem: em 10 dos 11 houve divergência entre o que o profissional declara e o que está publicado, com critério de coleta diferente por caso; o único sem divergência foi conferido em apenas 3 fontes. Que a resposta herde essa divergência é coerente, mas o estudo mostra o que saiu, não a causa.
Pelo nome, em 8 de 9 a IA descreveu o profissional. Na indicação genérica, em 9 de 11, ele não foi citado.
O que muda
Para quem precisa ser escolhido, ser encontrado pelo nome não basta para entrar na primeira lista: em 8 dos 9 casos a IA descreveu a pessoa pelo nome, e nos 9 a pergunta genérica devolveu respostas sem o nome dela. O levantamento não mede quantos pacientes consultam IA para escolher nem o que fazem depois da lista, que pode não decidir sozinha. Há um dado vizinho, declarado e não medido: 6 de 7 respostas ao formulário de entrada, de 6 consultórios, dizem que o paciente chega por indicação. Há viés de seleção: a maior parte desses consultórios chegou à ZEITH pela mesma rede de indicação, o que pode homogeneizar as respostas. Se a indicação continua sendo a porta, uma IA que indica sem citá-lo é uma indicação em que ele não entra.
Posição da ZEITH
Discordamos de medir presença em IA só pelo nome: a IA responde, e a resposta esconde a pergunta de quem ainda não sabe quem procurar. A leitura da ZEITH é que ser descrito e ser indicado são duas medidas, e um profissional pode ter uma sem a outra: foi o que se viu em 8 dos 9 casos com as duas perguntas. Onze casos reunidos por conveniência servem de ponto de partida da base, não de regra do mercado.
Amostra e método
n = 11 pesquisas de presença de profissionais de saúde que procuraram a ZEITH (uma clínica com vários profissionais conta como uma), coletadas de junho a outubro de 2026. A amostra é por conveniência: pode concentrar quem já via um problema de presença e não representa o mercado. Cada número vale para o seu n, dito no texto; homônimos e fonte repetida são contagens mínimas. Em 3 casos a coleta foi por API (Gemini 2.5 Flash e Perplexity Sonar Pro, 3 execuções, sessão limpa, respostas literais), que não equivale ao aplicativo que o paciente usa. Nos demais, foram aplicativos de IA no navegador (ChatGPT, Gemini, Perplexity e, em alguns, o Modo IA do Google), e em pelo menos 2 casos as respostas foram resumidas pelo operador, não literais. A pergunta de indicação usou odontologia ou ortodontia, conforme o caso. Em 2 dos 9 casos uma resposta trouxe um negócio que parece ligado ao profissional, nunca o nome. Dado errado é leitura da ZEITH sobre os textos, sem checagem independente de cada fato. Respostas de IA variam entre rodadas; as contagens delas valem para a coleta inicial.
Fontes
- Base do Observatório da Escolha, ZEITH Co.: 11 pesquisas de presença de profissionais de odontologia (respostas de ChatGPT, Gemini, Perplexity e Modo IA do Google, buscas no Google, fichas, diretórios, sites e redes dos profissionais), coleta de junho a outubro de 2026.
- Base do Observatório da Escolha, ZEITH Co.: 7 respostas ao formulário de entrada de 6 consultórios, coleta de 21 de julho a 3 de setembro de 2026.
Como este artigo foi feito
Agentes de IA da ZEITH monitoram fontes, coletam e organizam os dados e redigem a primeira versão. A investigação, a leitura e a decisão de publicar são da ZEITH, e Leandro Manique responde pela conclusão. Os dados vêm de 11 pesquisas de presença coletadas de junho a outubro de 2026. Dados de clientes entram anonimizados. Política editorial: zeithco.com/politica-editorial.