Análise · Presença na IA · Aquisição B2B
O ChatGPT dobrou as visitas que manda aos sites. A decisão do comprador continua fora do relatório.
Dados da BrightEdge divulgados em 24 de setembro mostram um assistente concentrando 95,1% das visitas vindas de inteligência artificial. Lido sozinho, o número empurra a empresa para a aposta errada.
A BrightEdge, plataforma de busca orgânica usada por grandes empresas americanas, publicou em 24 de setembro o recorte mais recente do seu monitoramento de visitas encaminhadas por assistentes de inteligência artificial. Entre janeiro e agosto de 2026, o volume de acessos que o ChatGPT enviou aos sites acompanhados cresceu 101%. Só de julho para agosto a alta foi de 36%, a maior variação mensal do ano. Com isso, o assistente da OpenAI ficou com 95,1% de todas as visitas originadas em assistentes no mês. Gemini respondeu por 2,4%, Perplexity por 1,1% e Claude por 0,8%. No acumulado do período, o Gemini cresceu 1%, o Claude recuou 15% e o Perplexity, 17%.
A conclusão apressada já tem formato de slide: a disputa acabou, basta ajustar a empresa para um assistente só. Discordo dela. O relatório conta cliques, e o clique é apenas a parte da resposta que termina fora da resposta. Quando o Gemini resolve a dúvida dentro da página de resultados do Google, quando o comprador lê a recomendação e segue direto para o telefone, nada disso aparece na planilha. A própria BrightEdge registra que as visitas vindas de assistentes ainda pesam pouco perto das que chegam pela busca tradicional. O placar mostra quem entrega gente na porta do site. Ele não mostra quem formou a opinião do comprador antes de ele decidir aparecer.
A parte da conversa que não gera visita
Um experimento de campo de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia e da Northeastern, publicado em 18 de agosto, ajuda a medir essa lacuna. Com 1.100 usuários acompanhados durante uma semana, o grupo direcionado ao modo de IA do Google teve uma queda de 18,8 pontos percentuais na fatia de buscas que terminavam em clique para um site externo, sem ganho de satisfação com a experiência. Junto com o dado da BrightEdge, o desenho fica nítido. O assistente que mais encaminha visitas cresceu, e o experimento indica que, quando a resposta vem pronta, uma parte relevante das escolhas deixa de passar pelo site. O site vira o último destino de uma conversa que começou e quase terminou em outro lugar.
O relatório de visitas mostra quem trouxe o cliente até a porta. Ele não mostra quem descreveu a sua empresa antes de o cliente decidir bater.
Por que desenhamos a ZEITH em três frentes
Montei a ZEITH Co. em três frentes justamente por não confiar numa métrica isolada. A primeira é a Presença na IA: a empresa tratada como entidade que Google, ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity reconhecem com a mesma descrição, independentemente de quem esteja mandando mais clique neste trimestre. Concentração de 95% em agosto não garante nada para março. Em abril, segundo a mesma série, a fatia do ChatGPT estava em 89,5%. Quem reorganiza a presença a cada relatório vira refém do placar. Quem mantém o próprio dado coerente em todas as fontes é lido do mesmo jeito por qualquer assistente que estiver na frente.
As outras duas frentes cuidam do que acontece quando a visita finalmente chega. Reputação, porque o assistente cita o que encontra publicado: avaliação respondida, caso documentado, cliente que fala bem em lugar público. Aquisição B2B, porque o comprador que chega por indicação de um assistente traz a lista curta pronta. Na nossa operação, agentes de IA preparam a pesquisa de conta e a abordagem, e um vendedor humano conduz a conversa. Com esse comprador, a conversa comercial começa pelo meio. O vendedor passa a confirmar e aprofundar o que a máquina afirmou, em vez de apresentar a empresa do zero.
O que o Brasil está priorizando
No mesmo 24 de setembro, o Sebrae apresentou em seminário os números do Global Entrepreneurship Monitor sobre o empreendedor brasileiro. Entre quem está em estágio inicial, 74% colocam a inteligência artificial como prioridade, 73% enxergam nela um caminho para personalizar atendimento, 94% operam pelo WhatsApp e 75% usam redes sociais. A adoção vem forte, e vem pelo lado da produção: texto, post, resposta ao cliente. Pouco dono de empresa trata o assistente como o lugar onde o comprador está escolhendo fornecedor. O mesmo empresário que pede ao ChatGPT uma legenda raramente perguntou a ele quem é a referência do seu setor na sua cidade.
Do lado dos fornecedores, o movimento é o oposto. Plataformas de busca orgânica passaram a vender acompanhamento de citações em assistentes, e a BrightEdge recomenda monitorar essa visibilidade ao lado do ranking tradicional. O Google mantém o modo de IA como alternativa dentro da própria busca, exatamente o formato que o estudo da Pensilvânia associou a menos cliques para fora. As empresas que dominam a tela já estão medindo onde a escolha acontece. A maioria das empresas brasileiras ainda mede só o que chega ao site.
Otimizar para o líder do placar é aposta de trimestre. Ser descrito do mesmo jeito por todos os assistentes é patrimônio.
Três perguntas para esta semana
A primeira: quando alguém pergunta a um assistente quem resolve o seu problema na sua região, qual é a resposta, e em que fonte ela se apoia? A segunda: o seu relatório de acessos separa as visitas vindas de assistentes das vindas da busca comum? Se separa, quanto elas representam; se não separa, a sua empresa está decidindo verba sem enxergar o canal que mais cresceu no ano. A terceira: se a fatia do ChatGPT cair pela metade no próximo semestre, a sua presença continua de pé ou precisa ser refeita?
Minha posição é que medir visitas de assistentes é necessário e insuficiente. O dado da BrightEdge é útil porque mostra para onde o clique está indo hoje. Ele se torna perigoso quando vira critério único, porque esconde a parte da decisão que acontece sem clique nenhum. Em 15 anos operando marketing e vendas B2B, vi o mesmo erro com cada canal novo: a empresa persegue o canal da vez e esquece a identidade que precisava estar certa em todos eles. Presença coerente, reputação ativa e conversa comercial conduzida por gente seguem sendo a base, seja qual for o assistente que liderar o próximo relatório.
Se você quer ver como a sua empresa aparece hoje nas respostas desses assistentes antes de decidir qualquer investimento, eu tenho uma agenda aberta para conversa direta: cal.com/leandro-manique-zeith-co/apresentacao-zeith.
Fontes
- BrightEdge, via GlobeNewswire, 24/09/2026: tráfego encaminhado pelo ChatGPT cresce 101% entre janeiro e agosto de 2026; 36% de alta em agosto; 95,1% das visitas vindas de assistentes em agosto (89,5% em abril); Gemini 2,4%, Perplexity 1,1%, Claude 0,8%; no período, Gemini +1%, Claude -15%, Perplexity -17%: globenewswire.com
- Universidade da Pensilvânia e Northeastern University, arXiv, 18/08/2026: experimento com 1.100 usuários; o modo de IA do Google reduziu em 18,8 pontos percentuais a fatia de buscas com clique para site externo, sem melhora de satisfação. Citado a partir de cobertura da Search Engine Land: searchengineland.com
- TrendsCE, 24/09/2026: dados do Global Entrepreneurship Monitor 2024/2025 apresentados no seminário Tendências do Empreendedorismo no Brasil, do Sebrae. 74% dos empreendedores iniciais tratam IA como prioridade; 73% veem potencial em personalizar atendimento; 94% usam WhatsApp; 75% usam redes sociais: trendsce.com.br
Como este artigo foi feito
Escrito por agentes especialistas da ZEITH, sob direção editorial humana: os agentes levantam e cruzam o que mudou na semana, e a decisão sobre a tese, o corte e o que merece ser publicado é nossa. Toda afirmação de fato aqui tem fonte listada acima, com a data de publicação original. Quando a fonte é secundária, isso está dito no texto. Ver como trabalhamos.