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Análise · Eficiência · IA

A IA já está no seu software. Ela ainda não virou operação.

A McKinsey mediu o estado da IA em 2026 e revelou o dado que separa quem só assinou a ferramenta de quem construiu operação em cima dela.

Por Leandro Manique·Founder, ZEITH Co.·13 de julho de 2026

A McKinsey publicou seu levantamento sobre o estado da IA em 2026 com um recorte que muda a conversa. Entre as empresas ouvidas, 39% já experimentam sistemas de IA agêntica em alguma função, mas, dentro de qualquer área específica, no máximo 10% dizem operar esses agentes em escala real. O intervalo entre esses dois números é o retrato mais honesto do momento: a tecnologia entrou em quase todo lugar e produziu resultado consolidado em quase nenhum.

A reação preguiçosa a esse dado costuma apontar para o modelo. Falta capacidade, falta maturidade, falta o próximo salto de inteligência. O próprio levantamento aponta para o lado oposto. Dois terços das empresas colocam segurança e controle de risco como a principal barreira para escalar, muito à frente de qualquer limitação técnica. O gargalo não mora no que o agente sabe fazer. Mora no fato de que ninguém desenhou a operação em volta dele.

Quando a IA chega como um recurso solto, ela vira um enfeite caro. Um assistente aqui, uma automação ali, um agente embarcado em cada software que a empresa assina. Levantamentos de adoção publicados ao longo deste ano mostram a mesma fratura: a maioria esmagadora das aplicações corporativas já vem com algum agente embutido, enquanto uma fração pequena das empresas de fato roda um desses agentes em produção. A distância entre ter e usar é o lugar exato onde o orçamento de IA está evaporando.

A tecnologia entrou em quase todo lugar e produziu resultado consolidado em quase nenhum.

A Forrester colocou preço nesse improviso. A projeção da consultoria é que empresas B2B percam mais de dez bilhões de dólares em 2026 por uso não governado de IA generativa, com incidentes que vão de decisões erradas a exposição jurídica. Ninguém mede o número brasileiro com essa precisão, mas o mecanismo se repete igual. Ferramenta comprada por impulso, sem processo, sem dono, sem conexão com o resto da casa, cobra a conta depois.

Foi por enxergar esse padrão cedo que estruturei a ZEITH Co. como um sistema, e deixei de lado a lógica de prateleira de ferramentas. Eficiência Inteligente para Negócios não significa instalar o agente da moda. Significa desenhar a operação de aquisição, de presença e de reputação como um organismo único, em que cada peça de IA tem função definida e entrega para a peça seguinte.

Na prática isso se divide em três frentes que trabalham juntas. Aquisição, onde agentes fazem pesquisa de contas, escrita personalizada e triagem de resposta, e entregam a conversa qualificada para um humano fechar. Presença, onde a empresa passa a ser reconhecida como entidade pelo Google e pelos assistentes que o comprador consulta antes de decidir. Reputação, onde a prova social vira uma camada ativa de trabalho, e para de dormir num depoimento perdido no rodapé. Nenhuma dessas frentes rende sozinha. O retorno aparece quando elas operam encadeadas.

As grandes plataformas confirmaram a direção neste ciclo. No Google Cloud Next de 2026, a empresa consolidou sua oferta sob o guarda-chuva Gemini Enterprise e liberou construtores de agentes sem código. OpenAI e Anthropic colocaram suas plataformas de agentes corporativos em disponibilidade geral, com ambientes de execução isolados e protocolos de comunicação entre agentes. Todas entregam motor de primeira linha. Nenhuma entrega a operação montada para o dono de uma empresa de médio porte no Brasil. O motor caminha para virar commodity. A arquitetura que transforma motor em resultado segue escassa, e é ali que mora a margem.

Ter acesso à tecnologia virou padrão de mercado. A vantagem migrou para quem transforma tecnologia em operação viva.

O líder brasileiro que quer sair da estatística dos 10% precisa responder três perguntas nesta semana. Quantos processos da sua empresa já têm um agente de IA embutido num software que você paga, sem que ninguém tenha desenhado o que ele deveria fazer? Onde a sua operação ainda queima horas humanas em tarefas que um agente treinado resolve enquanto o time dorme? E qual peça de IA você comprou no último ano que nunca se conectou a nenhuma outra, e por isso nunca virou receita?

Minha posição é direta e sustentada pelo número da McKinsey. Vantagem em IA parou de vir de quem tem acesso à tecnologia, porque isso baixou ao chão do mercado. Passou a vir de quem transforma tecnologia em operação viva, com processo, dono e conexão entre as partes. As empresas que cruzarem esse abismo primeiro vão consolidar posição enquanto as concorrentes ainda estiverem testando o assistente da vez. É essa travessia que a ZEITH constrói como produto.

Leandro Manique
Founder · ZEITH Co.